quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 Universidade derrotada: O ensino como espetáculo

Alexandre Fernandez Vaz



A Universidade Federal de Santa Catarina está começando agora o semestre letivo na graduação, que não é o primeiro de 2021, senão o segundo do ano passado. As incertezas perante a pandemia deixaram tudo em suspenso durante muitos meses, até que se percebeu que o meio remoto era inevitável, que já era tempo demais para seguir sem as aulas. Em dezembro, concluímos o que era para ter encontrado seu fim em julho e em janeiro tivemos recesso, uma vez que é praxe na UFSC jamais ter aulas no mês que no Brasil é, por excelência, o das férias escolares. Se deve ser assim também na Universidade, não me parece óbvio, mas é questão que deixo para outro momento.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

 Diego Armando Maradona Franco (30.X.1960-25.XI.2020)

Danielle Torri, Alexandre Fernandez Vaz

Maradona com a camisa do Napoli. Arte: Emilio Sansolini.

1. Quando terminava a minha infância, fiquei sabendo da existência de Maradona. Estávamos em 1979 e Diego foi, junto com Ramón Díaz, o protagonista da conquista do Campeonato Mundial de Juniores, jogado no Japão. Na peleja decisiva contra a seleção da hoje não mais existente União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o gol que fechou o placar de 3 a 1 para os argentinos foi daquele que viria a ser, para sempre, El Diez. Um ano antes, ele havia sido preterido por César Luis Menotti no time que vencera a Copa do Mundo de 1978, jogada em casa, embora houvesse participado de dois jogos preparatórios. El Flaco considerava imaturo o garoto que nascera em Lanus, crescera em Vila Fiorito e atuava pelo Argentinos Juniors, para o enfrentamento de tudo o que significava a disputa da competição. Havia uma tremenda expectativa entre os Hermanos, que jamais haviam vencido uma Copa, além de o selecionado estar sob forte pressão da ditadura que governava (e saqueava) o país.

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 Reviravoltas na trama: ginástica, política e vida de Vera Caslavska

Wagner Xavier de Camargo

Vera Caslavska em 1967. Foto: Wikipédia


Hoje consigo mapear quais foram algumas das fontes que me fizeram gostar de história do esporte e a procurar saber mais sobre elas. No meio de uma aula de geopolítica no início dos anos 1990, ainda no colegial, um detalhe me chamou atenção: uma ginasta que defendia um regime político mais democrático para seu país e que, tempos depois, fora perseguida pelos soviéticos. O comentário durou segundos no detalhamento de uma explicação sobre a Primavera de Praga, mas repercutiria anos mais tarde em minha formação e visão de mundo. Em 2012, para minha surpresa, um documentário sobre a vida de tal atleta foi lançado.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

 Telê Santana: maestria no anacronismo

Alexandre Fernandez Vaz

                                  Telê Santana. Foto: Reprodução/Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube.

Em uma abafada madrugada de dezembro de 1992, em Florianópolis, meu avô paterno assistia com apreensão à partida entre São Paulo FC o FC Barcelona, que acontecia no Japão. Nascido e criado no campo, ele costumava se retirar cedo e despertar com o dia ainda sem luz natural, mas naquela ocasião o homem de hábitos rígidos se deixou acordar perto da meia-noite para torcer pelo amado tricolor. Precavido, ingerira sua dose de maracugina, esperando que a pressão arterial não subisse a ponto de, aos noventa e cinco anos, viver um mal-estar durante o esperado jogo. Solitário, frente à pequena televisão do seu quarto, vibrou com o golaço de Raí, marcado quando a disputa já se encaminhava para o fim do tempo regulamentar. O placar de 2 X 1 não se alteraria e o primeiro título da Copa Intercontinental chegou ao Morumbi.

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 Driblando a exclusão: futebolistas trans negros

Wagner Xavier de Camargo

Meninos Bons de Bola. Foto: Observatório da Discriminação Racial do Futebol


Do ponto de vista do “lugar de fala”, não tenho o direito de me expressar por um atleta negro. Afinal, nem que queira dizer que tenho raízes africanas e indígenas na família, em vista de ser branco, pouca gente acreditaria. Além disso, nunca sofri racismo ou fui marcado pela cor da pele. Sequer posso me colocar no lugar de uma pessoa transgênero ou intersexo, principalmente por ser homem cisgênero, alguém que concorda com o gênero a mim imposto no nascimento. Ainda como gay também nem penso em “defender-lhes” de discriminações, pois isso seria algo colonialista. Como aliado, tento entender a negritude, transgeneridade e a intersexualidade sem passar por elas na carne, mas reconhecendo a importância de suas existências.

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domingo, 15 de novembro de 2020

 Deseducação política (um fracasso mais)

Alexandre Fernandez Vaz


Depois de amanhã teremos, uma vez mais, eleições municipais. O fato de elas se realizarem na data que foi durante muito tempo a destinada à escolha de mandatários e representantes legislativos, faz lembrar a experiência de trinta e um anos atrás. Naquele 15 de novembro de 1989 vivemos as primeiras eleições para presidente da República após o fim da ditadura civil-militar. Estávamos sob o governo de José Sarney, eleito indiretamente quase cinco anos antes por um Colégio Eleitoral. Apesar de desastroso, o governo do chefe político maranhense teve o mérito de evitar movimentos que pudessem nos levar a um retrocesso institucional. Para uma democracia muito mais imperfeita do que o tolerável, como ainda hoje é caso da brasileira, foi algo importante.


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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

 O derby em Floripa: Figueirense x Avaí

Alexandre Fernandez Vaz


Foto: CBF / Site Figueirense

Buenos Aires, uma das capitais mundiais do futebol, está acostumada a assistir a vários derbies, los clássicos, já que são muitas as equipes de primeira divisão que ocupam os bairros da cidade ou de cidades que lhe são contíguas. São times com tradição, títulos, histórias que são narradas com detalhes e emoções por seus tenazes torcedores. Boca Juniors, River Plate, San Lorenzo, Vélez Sarsfield, Racing, Independiente, quando jogam entre si, perfazem um clássico, mas, quando os dois primeiros se enfrentam, então temos el superclásico. Seja em La Bombonera ou no Monumental de Nuñez, um Boca X River é de parar a respiração.

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