terça-feira, 17 de outubro de 2017

Performance artística, dança, esporte: qual é a identidade do Pole Dance?

Wagner Xavier de Camargo, Karen Vaz de Lima

                                             Corpo feminino numa das posições do Pole Dance. Foto: Jim O’Connell (CC BY-NC-ND).

Provavelmente você já ouviu falar, pratica ou viu algo relacionado ao pole dance. Emergindo como uma atividade aeróbia desenvolvida em academias de ginásticas (assim como pilates, spinning, kickboxing, body combat e outras) ou estúdios privados, o pole dance aglutina cada vez mais adeptos, principalmente entre jovens, mulheres e homens, em grandes centros urbanos. E, se sua popularidade cresce numa velocidade exponencial, crescem também perguntas relativas à sua prática corporal e origens.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Rememorações primeiras: Pelé, presença e ausência
Alexandre Fernandez Vaz



De muito pequeno, não apreciava tanto o futebol. Meu pai levava a meu irmão e a mim ao estádio, mas meu interesse pelo jogo em si era pequeno, preferindo as guloseimas que eram oferecidas pelos ambulantes. Mas, fui aprendendo, apreciando e me encantando pelo que se passava entre as quatro linhas e também fora delas, na liturgia de tardes de sábado e de domingo, ou ainda em dias de semana em que, perto da escola, jogava-se sob a luz do dia na ausência dos refletores.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Recordações de Diego Maradona

                                             Grafite de Maradona em muro no bairro de La Boca. Foto: Wagner Fontoura (CC BY 2.0).

No me hables mal del Pibe!, disse o amigo argentino na mesa ampla em um bar do bairro Cidade Norte, em Hannover, Alemanha, onde eu morava em 1996. Respondia a uma brasileira que lhe provocara evocando a dependência de Diego Maradona à cocaína. Estava posta a velha rivalidade, sempre revivida, entre nós e os hermanos. Rivalidade que pode ser graciosa e animada quando não deriva em insultos e incompreensões. Um casal argentino com o filho pequeno, amigos pessoais muito queridos para mim, foi ofendido no metrô do Rio de Janeiro por policiais brasileiros. Era 2014, dia de final de Copa e a seleção dos vizinhos acabara de ser derrotada pelo time alemão.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

¡Viva Cuba! Memórias (esportivas) do Socialismo

Wagner Xavier de Camargo

                                                                  Carro com o escudo do Barcelona FC. Foto: Gabriel Uchida.

O próximo dia 10 de outubro se comemora o dia de independência de Cuba, ou ao menos foi nessa data que, em 1868, eclodiu o primeiro movimento pela independência da ilha em relação aos espanhóis. Com uma história política conturbada durante o século XX, havia anos que Cuba não aparecia ostensivamente na mídia. Em fins de 2016, a morte de Fidel Castro, o líder revolucionário que implantou o socialismo na ilha, mudou esse quadro. O “Ícone da revolução”, como era conhecido, afastara-se do poder há cerca de uma década e falecera por complicações relativas à idade. O reaparecimento de Cuba nos noticiários devido à sua morte provocou em mim um efeito nostálgico. Durante dias me vieram à mente fatos relativos à sua história, ao sistema socialista, aos esportes, e tudo isso mobilizou memórias esportivas que me habitam há anos.

sábado, 7 de outubro de 2017

Selvino José Assmann (1945-2017)


Alexandre Fernandez Vaz!

Quando eu ingressei na pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para cursar o mestrado, há vinte e cinco anos, já ouvira muito falar de Selvino José Assmann, e presenciara duas defesas de dissertação em que ele compusera a banca examinadora, uma delas como orientador do trabalho. O que se dizia dele nos corredores do Centro de Ciências da Educação era que se tratava de um professor muito erudito e cuja complexidade do pensamento e de suas aulas demandava concentração e estudo. Quando começamos o curso de Epistemologia da Educação, disciplina obrigatória ministrada por ele, o que eu havia escutado se confirmou. Somava-se àquilo, no entanto, a grande capacidade de apresentar e esmiuçar conceitos. O Professor fazia isso com calma e alegria, expondo as entranhas do próprio pensamento de maneira dadivosa, mostrando os andaimes de uma reflexão que se concluía sempre límpida, mas nunca em forma definitiva. A pergunta sempre persistia, ainda que em plano mais elevado. Ele foi, junto com Detlev Claussen, a figura-chave em minha formação acadêmica.
Não foram poucas as vezes em que o acompanhei depois da aula até o estacionamento, encompridando a boa conversa. Numa delas, desembrenhou a falar de Michel Foucault, destacando a importância dos cursos que o grande filósofo ministrara nos últimos anos de vida e que, pouco a pouco, vinham à luz na França em edições transcritas. Em tempos prévios à internet, Selvino se mantinha, como poucos, informado sobre o que acontecia internacionalmente. À vasta cultura filosófica, que ia de Platão a Agamben, passando por Vico, Abelardo, Maquiavel, Rousseau, Kant, Hegel, Marx, Adorno, Foucault e tantos outros, agregava-se o conhecimento de diversas línguas estrangeiras, além do domínio completo do Português. Com isso, em seus textos não há palavra desperdiçada e suas traduções são de uma precisão e beleza impressionantes.
O Mestre emprestava livros e não os pedia de volta. Tinha consciência das muitas perdas, mas avaliava que não era tão ruim que isso acontecesse, na esperança de que alunos esquecidos da devolução houvessem, ao menos, lido os volumes perdidos. Voltava a comprá-los e a sublinhar trechos e fazer suas anotações à margem.
Selvino teve uma carreira exemplar na UFSC, onde ingressou em 1976, de onde se aposentou compulsoriamente aos setenta anos de idade, e chegou a Professor Titular (1992) e Professor Emérito (2016), sempre no Departamento de Filosofia, mas com atuação em vários programas de pós-graduação. Atuou na Educação, Direito, Administração, Enfermagem, Filosofia, parece que não havia algo sobre o qual ele não pudesse pensar. Junto com outros, criou e foi um permanente entusiasta do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, que mais de uma vez, e contra suas inclinações, coordenou. Nele constituiu uma parceira das mais interessantes e inusitadas com Héctor Ricardo Leis, com quem ministrou aulas e escreveu uma série de artigos depois reunidos em livro, as Críticas minimalistas (Editora Insular, 2007). Foram fraternos e divertidos amigos.
Quando me tornei professor da pós-graduação, foi com Selvino que ministrei meu primeiro seminário. No ano seguinte, com carga horária alta, como frequentemente acontecia, preferiu não repetir a atuação como docente, mas prometeu ir às aulas quando pudesse. Foi a todos os encontros e, sentado como aluno, escutava, anotava e perguntava, contribuindo sempre com sua perene lucidez. Senti-me não apenas lisonjeado por sua presença, mas por seu extremo respeito por minha condição de jovem professor da pós. Estivemos juntos em vários outros seminários, inclusive em um que considero central para minha reflexão posterior, a primeira edição de Sujeito, Poder e Política, no segundo semestre de 2004. A companhia dele tornou muito menos árdua a leitura crítica de Homo Saccer I: o poder soberano e a vida nua, de Agamben, assim como nos proporcionou o primeiro contato com O aberto: o homem e o animal, do mesmo autor, em tradução informal com o qual nos presenteou. Um luxo. Mais tarde, viria a ser o principal tradutor do filósofo italiano ao Português.
Itália – em Roma chegou ao mestrado e ao doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Lateranense, além de ao mestrado em Teologia pela P. U. Gregoriana. Suas lembranças de lá eram as melhores, ouvi-las, uma delícia. Entre tantas, o café no fim de tarde, ao pé do edifício onde morava, com conhecidos ocasionais, mas nem por isso menos importantes. Gente que não imaginava que ele escrevia uma tese sobre a obra do filósofo mexicano Leopoldo Zea. A Itália foi ainda o destino de um estágio pós-doutoral imaginário, nunca concretizado, com Norberto Bobbio.
Selvino frequentemente tomava a própria vida como situação exemplar para expressar a consciência histórica, fazendo justiça à herança hegeliana que ele tão bem conheceu e ensinou. Era nessa moldura que relatava suas experiências como analisado e, muito amorosamente, a vida com Helena e Moira, companheira e filha.
Certa vez o encontrei no térreo de um dos prédios do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, ele procurava um telefone público. Moedas à mão, respondeu à ingenuidade do menino que eu era sobre por que não fazer a chamada telefônica de sua sala de trabalho. Sem afetação, disse que se tratava de interesse pessoal, ele não se sentiria bem em realizá-la de um aparelho da UFSC. Este foi Selvino Assmann, meu orientador de mestrado e meu Mestre, que fez as indicações fundamentais de leitura, que foi generoso ao me ensinar a pensar muito melhor do que antes de conhecê-lo. Foi meu amigo.
Frankfurt am Main, outubro de 2017.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017








En el maremágnum de la literatura bourdieusiana este libro se distingue por su originalidad y por su excepcional calidad. Gambarotta se plantea el estudio de lo político en Bourdieu como una via regia para enfrentar a esa peculiar forma de culturalismo que es el pensamiento post, y produce una obra polémica, tan rigurosa cuan exigente, al mostrar como la política permea la totalidad de la obra de Bourdieu entendida como "una vasta teoría de la dominación".
Denis Baranger

Índice
Prefacio
I. Introducción: conceptos y estilo
El doble rechazo y su desintegración -- Nociones fundamentales -- Una cuestión de estilo
II. Para una crítica corporal de lo político
Técnicas corporales -- Una digresión merleau-pontyana -- Consideraciones post del cuerpo -- El modo de corporalidad y su crítica
III. Un materialismo cultural
Sociología de la cultura y economía de las prácticas -- El miserabilismo de la desposesión y la ambivalencia de la dominación -- El culturalismo o la teoría cultural del subjetivismo post -- La negación de la negación
Excursus. El mérito heredado: la producción escolar de una nobleza
Las instancias de la alquimia escolar -- El ordenamiento de una nobleza -- El reproductivista sociólogo rey -- La pedagogía racional y su dialéctica entre universal y particular
IV. Un estilo ilustrado: el lugar de la ciencia en lo político
El postestructuralismo o la teoría política del objetivismo post -- La política en la institución del orden simbólico -- Una ilustración sombría y descentrada -- La intervención política desde la sociología reflexiva -- La crítica y la reconfiguración de lo visible
V. (Des)politización y democracia: sobre la práctica disruptiva de lo político
Disrupción y reconfiguración de lo simbólico -- Concepciones postestructuralistas de la democracia -- Estética y técnica de la democracia -- El espesor democrático
Conclusión. Bosquejo de una teoría crítica reflexiva de lo político


Luta livre de mulheres: G.L.O.W. e anos 1980

Wagner Xavier de Camargo





Há certas coisas na vida que nunca esquecemos. Um fato inusitado, um ruído aborrecedor, um perfume marcante ou mesmo um programa televisivo. Bem, nesse último caso, apenas para quem nasceu numa época histórica em que a TV era a vedete de qualquer casa de família. Lembro-me, com certo saudosismo, de alguns programas de luta livre aos sábados à noite que, em geral, assistia com um tio ou com meu pai. Em que pesem suas opiniões de que tudo aquilo lá era combinado, do auge de minha impetuosa sabedoria juvenil eu pensava que não podia ser, pois era muita emoção junta e meu coração sempre seguia em ritmo alucinado.