sábado, 7 de julho de 2018

Da Universidade à Política (ou, à corrida eleitoral) – II

Alexandre Fernandez Vaz



Há duas semanas, meu texto publicado neste mesmo espaço deixava ao seu final duas perguntas: “São os intelectuais impotentes para a política tradicional? Devem manter-se no papel de críticos, renunciando ao enfrentamento das contradições que a ação oferece?”

Penso que as respostas são sim e não, simultaneamente, para os dois casos. Há intelectuais que podem e devem seguir fazendo a análise e a crítica, por aptidão ou opção, enquanto outros, pelos mesmos motivos, escolhem o caminho da filiação partidária e da disputa eleitoral. Refiro-me principalmente aos cargos executivos, em que o jogo é mais duro porque diretamente com as demandas da população, com as soluções sempre em atraso e com um enfrentamento na comunicação que é muito difícil, já que rádio e TV são principalmente dominados por grandes conglomerados que, no melhor dos casos, são conservadores. O trânsito da calma da vida intelectual para o frenesi da política e da gestão pública não é fácil, mas é possível. No Brasil de hoje há pelo menos um ótimo exemplo e um outro a caminho.

Copa do Mundo 1982 – Desastre do Sarriá
Alexandre Fernandez Vaz


Para Mozart Maragno.



Ainda hoje a Copa de 1982, disputada na Espanha, é lembrada como um dos torneios que a seleção de futebol do Brasil disputou com grande êxito, ainda que a vitória não tenha sido alcançada. Até pelo menos 1994, quando o time nacional voltou a ser campeão, a equipe de Zico, Sócrates, Falcão, Cerezzo, Júnior e Leandro, treinada por Telê Santana, era lembrada como uma das melhores que o país já formara. Não deixa de ser surpreendente que aquela equipe, por melhor que jogasse, fosse comparada com os times campeões de 1958, 1962 e 1970. Como é conhecido, o time brasileiro foi derrotado pelo italiano nas quartas de final – mesma etapa disputada ontem –, em Barcelona, no que ficou conhecido como o Desastre do Sarriá.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Da Universidade à Política (ou, à corrida eleitoral)
Alexandre Fernandez Vaz


É conhecida a foto de Fernando Henrique Cardoso (FHC) distribuindo, em 1978, material de campanha ao Senado Federal em uma porta de fábrica. Junto a ele, o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, Luís Inácio Lula da Silva, o Lula. Hoje o Sindicato é d@s Metalúrgic@s do ABC, e, desde muito, o depois presidente do Brasil incorporou o apelido ao seu nome.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Esporte Gay ou Esporte LGBT? Eis uma questão!
Wagner Xavier de Camargo

BeesCats, vencedores da 1ª Taça Hornet. Foto: Marcio Rolim/Divulgação.

No final de semana do feriado prolongado de Corpus Christi houve, em consonância com a programação da Parada do Orgulho LGBT+ que ocorre anualmente em São Paulo, a 2ª Taça Hornet de Futebol da Diversidade. Trocando em miúdos, uma espécie de Copa brasileira de “futebol gay”, como estão chamando os meios de divulgação. Participaram dela cerca de 14 times de futebol amador, de variados espectros na definição de gênero e sexualidade, que defendem “visibilidade” para suas práticas esportivas e menos homofobia, transfobia e discriminação no mundo esportivo.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Sobre o PIBIC do Ensino Médio
Algo de memória e do compromisso da Universidade com a escola pública

Alexandre Fernandez Vaz


Há poucas semanas em uma reunião de pesquisa na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) onde trabalho, foi citada a quota de bolsas do Programa de Iniciação à Pesquisa do Ensino Médio (PIBIC-EM) que a instituição detém. Não deixou de chamar a atenção o fato de que o número de bolsas efetivamente ocupadas era algo como sessenta por cento do total (60%), mostrando uma disponibilidade que contrasta com a disputa por ocupação das bolsas PIBIC universitárias. Estas costumam ser em número menor do que a demanda qualificada da instituição.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Passa anel e as relações de gênero na infância
Wagner Xavier de Camargo

Dia desses, num dos últimos fins de tarde do verão de 2018, passava distraído em frente a uma escola municipal, nos arredores de minha casa, quando ouvi uma gritaria de crianças em êxtase. O grupo, de meninas e meninos, na faixa de seus sete ou oito anos, ria e se perguntava: “com quem está o anel?”. Logo busquei rápido em minhas referências e me lembrei de que se tratava da brincadeira de “passa anel”, que havia sido muito comum em meus anos escolares. Quando criança, lembro-me de que havia variações do nome do jogo, que podia ser conhecido como “anelzinho”, “jogo do anel” e “jogo do botão”. E, via de regra, era uma brincadeira de meninas, em grupos de cinco ou mais componentes.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Torcer pela seleção brasileira?
Alexandre Fernandez Vaz

Torcer pela seleção brasileira na Copa de 2018? Foto: Pedro Martins/Mowa Press.


Em 1979, Fernando Gabeira, vê publicada sua obra mais conhecida, O que é isso, companheiro?, Em que relata seus anos de luta armada, com destaque para o sequestro do embaixador estadunidense no Brasil, Charles Elbrick, em setembro de 1969. No ano seguinte ele seria baleado e preso para logo deixar o Brasil, junto com trinta e nove outros detentos, em troca da liberdade do embaixador alemão, Ehrenried von Holleben, também sequestrado. Enquanto os guerrilheiros deixavam o Brasil sem saber se um dia poderiam voltar, o Brasil caminhava a passos largos para a conquista do tricampeonato mundial, no México.