sábado, 1 de junho de 2019

Faz seis anos: 2013, para não repetir
Alexandre Fernandez Vaz

Imagem do setor da arquibancada em que estava a torcida corinthiana em Oruro, Bolívia. Foto: Divulgação/Agência Corinthians.

Apesar da necessidade jurídica de individualização da culpa, torcidas organizadas, clube e mainstream do futebol foram também responsáveis pelo crime. As organizadas permitem que integrantes seus portem armas nos estádios e fomentem o ódio a adversários. O Corinthians, cujas relações umbilicais com as torcidas são conhecidas, teria que ter feito naquela ocasião mais do que lamentar, decretar luto e dizer que tudo foi um acidente. Em respeito à memória do menino e à sua família, deveria ter se retirado da Copa Libertadores da América. Simples assim. Era a atitude digna a ser tomada.
O episódio voltou-me à memória há algumas semanas, ao ler que um modelo havia morrido de forma fulminante em plena passarela do principal evento de moda do Brasil, a São Paulo Fashion Week. A semana de moda seguiu, como também em 1972, depois do sequestro e assassinato de onze atletas israelenses, os Jogos Olímpicos de Munique tiveram prosseguimento. Uma justificativa edificante seria a de que o esporte deve prosseguir como resposta ao terror, que não deve se deixar abalar por ele. Mas, todos sabemos que não é isso que está em jogo.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Diego Hypolito e seu ato de bravura!
Wagner Xavier de Camargo

Diego Hypolito. Foto: Reprodução/Instagram.


Na segunda semana de maio de 2019, alguns sites na internet noticiaram que Diego Hypolito tinha se declarado publicamente “gay” e, a partir disso, trouxeram cenas e acontecimentos de sua história de vida e percurso relacionado à sua sexualidade. Em que pese choverem comentários depreciativos, preconceituosos, discriminatórios embaixo das referidas matérias, principalmente destacando sarcasticamente que não havia novidade alguma quanto a esta declaração, o feito de Diego deve ser admirado e parabenizado: foi um ato de bravura! Primeiro porque o cenário ultraconservador da política nacional, que tem cassado direitos de minorias sociais, não contribui para que pessoas LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros, intersexos e outros) vivam plenamente suas sexualidades, e, segundo, porque o esporte não é lá um campo propriamente dito de aceitação irrestrita de dissidências sexuais e de gênero.

domingo, 19 de maio de 2019

Goleiros (a propósito de Sidão)
Alexandre Fernandez Vaz
Luvas de goleiro. Foto: Andy Hall/Unsplash.


O primeiro grande goleiro que vi atuar foi Emerson Leão, do Palmeiras, da seleção brasileira e até de um selecionado da FIFA em partida comemorativa contra os argentinos, então campeões mundiais, no ano de 1979. Tobias e Jairo no Corinthians, Waldir Peres e Toinho no São Paulo, Marola no Santos, Cantarelli no Flamengo, Renato no Fluminense, Wendell no Botafogo, Mazzaropi no Vasco, todos bons goleiros que assistíamos pela TV. Raul, do Cruzeiro, quebrava a sobriedade com suas camisas amarelas, Ortiz, do Galo, tinha cabelos longos e uma fita a prendê-los. No Inter de Porto Alegre jogava Manga que, eu saberia mais tarde, atuara pelo Botafogo e pelo Nacional do Uruguai, e compusera o escrete que fracassara na Copa de 1966, na Inglaterra.

domingo, 5 de maio de 2019

O futebol precisa de um Abdul-Jabbar
Alexandre Fernandez Vaz

Kareem Abdul-Jabbar. Foto: Divulgação/Lakers.


Na metade dos anos 1990, Mário Sérgio Pontes de Paiva, um dos craques da camisa 10 na história do futebol brasileiro, atuou como treinador do Corinthians. Além de lançar o jovem Zé Elias como titular, fez ótimo trabalho que culminou na conquista da Copa do Brasil de 1995, ainda que o técnico a partir de certo momento tenha sido Eduardo Amorim. Doze anos depois chegou ao vice-campeonato da mesma competição, desta vez treinando o surpreendente Figueirense, derrotado pelo Fluminense de Renato Gaúcho, que conquistava seu primeiro título como treinador. Paulo Roberto Falcão dizia que Mário olhava para um lado e passava ou lançava para o outro. Eles foram campeões invictos do Brasileiro, pelo Internacional, em 1979.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Investimento em mulheres e o futuro do esporte
Wagner Xavier de Camargo
Bandeira do Canadá alterada com as cores do movimento social LGBT. Foto: Toni Reed/Unsplash.

Em meados de 2019, províncias e territórios canadenses foram surpreendidos com o anúncio, feito pelo governo federal, de um montante de U$ 30 milhões de dólares para buscar e promover a equidade de gênero no esporte. Mais especificamente, o foco serão as práticas esportivas de meninas e mulheres, que têm enorme potencial para desenvolvimento, inclusive no futebol. Consta que tal investimento é inédito e sem precedentes, e que muito dele visará dar maiores condições de equidade de participação e visibilidade nas políticas inclusivas de gênero no esporte.

sábado, 20 de abril de 2019

Partidas majestosas: recordações de Corinthians x São Paulo
Alexandre Fernandez Vaz
 Para Ivan Marcelo Gomes

Tupãzinho dá carrinho e faz o gol do primeiro título brasileiro do Corinthians, em 1990. Foto: Twitter/Divulgação.


“A zaga do São Paulo é boa pelo alto, mas é um pouco lenta”, disse o jogador Gil, do Corinthians, durante o Torneio Rio-São Paulo de 2002, pouco antes de um clássico que seria disputado em Presidente Prudente. O atacante, que formava com o lateral Kléber e o meio-campista Ricardinho a melhor ala esquerda do mundo, segundo o treinador Carlos Alberto Parreira, foi muito criticado pelos adversários, acusado de desrespeito, de falta ética. Seu experiente colega de clube, o volante Vampeta, tampouco deixou de adverti-lo pela audácia juvenil.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Abusos sexuais no mundo esportivo
Wagner Xavier de Camargo

Foto: Drew Hays / Unsplash.


Em fins de março de 2019 saiu a decisão final sobre a acusação de abuso sexual e assédio moral na ginástica artística, praticados por Fernando de Carvalho Lopes: ele foi considerado culpado das acusações e banido definitivamente da modalidade pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Fernando era coordenador técnico da equipe brasileira da ginástica artística masculina e acompanhava o atleta Diego Hypolito na época das acusações, em 2016. Devido às denúncias, foi afastado do clube no qual dava treinos (Mesc, em São Bernardo do Campo) e também dos Jogos Olímpicos do Rio, poucas semanas antes da competição ter seu início.