segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Futebol e Geopolítica



Foto: S./Flickr (CC BY-NC-SA)


Lembro-me bem dos anos escolares quando tomei conhecimento do conceito de geopolítica. Normalmente associado ao expansionismo territorial das potências europeias de fins do século XIX, a geopolítica teve papel decisivo nas múltiplas redimensões de fronteiras na Europa e no Mundo no decorrer do século passado. A própria expansão e dominação territorial da Alemanha Nazista levou ao pé da letra as bases fundacionais da geopolítica (em alemão, Lebensraum ou espaço vital). Aplicar a ideia de transformação do espaço por meio de ações políticas e se atentar para o esporte (e o futebol) nesse contexto parece um exercício bastante interessante. Eis que, perambulando por uma editora de renome, num fatídico sábado à tarde, encontro o livreto do jornalista esportivo José Eduardo Carvalho, chamado Geopolítica: 150 anos de futebol.


Elogio da queda: Bastian Schweinsteiger


Após a Copa do Mundo de 2014 o jogador Bastian Schweinsteiger foi nomeado capitão da seleção alemã. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.


Há um ano Bastian Schweinsteiger fazia sua despedida da seleção da Alemanha, em amistoso contra a equipe nacional da Finlândia.  Ao deixar o time campeão mundial, em que desenvolveu longeva trajetória e do qual era um dos capitães, o jogador já estava havia um ano no Manchester United, apenas seu segundo clube na carreira. Antes formou-se e permaneceu muitos anos no Bayern de Munique, onde chegou aos quatorze anos e debutou no time principal aos dezoito. Paolo Guerrero, atacante peruano campeão mundial de clubes pelo Corinthians, conta que a artilharia de um campeonato alemão sub-20 a deve, em boa medida, às assistências de Schweinschen, como o amigo é carinhosamente chamado em seu país. Antes de chegar ao Timão, de onde se mudou para o Flamengo, Guerrero jogou por dez anos na Bundesliga, tendo concluído sua formação de base no Bayern, para o qual se transferiu muito jovem, saindo do Alianza de Lima.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Desaprender política: ainda sobre a condenação de Luiz Inácio Lula da Silva





Marcus Aurelio Taborda de Oliveira
Alexandre Fernandez Vaz

Em março de 2016 escrevíamos neste mesmo espaço sobre a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinada pelo Juiz Sérgio Moro. Naquela ocasião deixávamos clara uma preocupação: a atitude parecia exagerada e poderia cumprir um papel ideológico importante contra o ex-presidente e tudo o que e ele representava para a política. Eis que em 12 de julho último nossas impressões parecem ter sido confirmadas. O mesmo Juiz condenou Lula à prisão por mais de 9 anos.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Futebol gaúcho, futebol-arte, invenção de identidades.


O técnico do Grêmio Renato Portaluppi passa instruções para a a sua equipe. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio FBPA.




Há poucos dias o treinador do Grêmio de Football Porto-alegrense, Renato Portaluppi, foi perguntado se sua equipe não joga, hoje, fora das características históricas do clube e do futebol gaúcho. O Grêmio é um dos times mais interessante do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2017. Apesar de ter atuado em todo o primeiro turno sem seu camisa dez, Douglas, o toque de bola, as triangulações, a verticalidade nas infiltrações, fazem com que a equipe do Sul esteja na disputa real do título do torneio, assim como também do da Copa Libertadores da América. Neste caso, o conclamado espírito copeiro gremista se aliaria com alto nível técnico e boa dose de habilidade de seus jogadores. Os jogos da equipe, com a exceções de praxe, encantam os que gostam do futebol bem jogado.

Justin Fashanu: jogador profissional de futebol, negro e gay!








Há algumas semanas, uma vez mais o mundo futebolístico foi abalado com a incerteza acerca da sexualidade de dois jogadores do clube italiano Lazio, de Roma. O senegalês Keita Baldé e o espanhol Patric Gabarrón postaram várias fotos (quase) íntimas em suas redes sociais, nas quais apareciam de mãos dadas ou em proximidade corporal considerada “suspeita” pelos “machos” que habitam o esporte bretão. Pelas amplas especulações jornalísticas, ambos mantêm um relacionamento afetivo.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Entrada da sede do Sport Clube Gaúcho. Foto: Sport Clube Gaúcho/Divulgação.

Brincadeiras sexuais e intolerâncias no futebol: o caso dos jogadores gaúchos



Esta primeira semana de julho foi marcada por uma situação no futebol, amplamente divulgada pela mídia, que assumiu proporções catastróficas para os envolvidos e que lançou à opinião pública elementos para (re)pensar a sexualidade no meio esportivo. Trata-se da curta cena de onze segundos, filmada em tomada única e logo em seguida compartilhada virtualmente, em que três jogadores do Sport Clube Gaúcho (equipe da 3ª divisão do campeonato sul-rio-grandense), da cidade de Passo Fundo, participam de uma brincadeira sexual envolvendo sexo oral e masturbação.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Crise e sintomas
Na tarde de dezoito de maio, uma quinta-feira, quando o presidente “em exercício” Michel Temer fez um pronunciamento à Nação por meio do qual negou seu envolvimento na interminável cadeia de negociatas e corrupção que constitui a medula da “política” entre nós, eu estava no Café do CFH, o Centro de Filosofia e Ciência Humanas da UFSC. Entre aulas da graduação e da pós-graduação, conversava com um orientando quando, de repente, um grupo expressivo de alunos se juntou próximo à televisão. Volume aumentado pelo atendente, aparece na “telinha” a imagem do ex-vice que, esperavam todos, estava próximo de se tornar ex-presidente. O coro reagia às gargalhadas e vaiando o conferencista. Havia mesmo algo de bizarro no velho político cuja imagem, segundo seu próprio marqueteiro, não teria sido utilizada com frequência nas campanhas presidenciais por sugerir relação com o “satanismo”. Golpeando a mesa para dar ênfase à suposta indignação, o síndico do condomínio de poder (tomo emprestada a ótima metáfora de Marcos Nobre) parecia não convencer nem a si mesmo. Golpe por golpe, um lembrou o outro. Mais ou menos como descrito no Dezoito Brumário, mas agora tudo como pura farsa.