terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Velocistas famosos, futebolistas sem glória
Alexandre Fernandez Vaz


Não sei o quanto é comum hoje em dia que os mais jovens considerem as histórias do esporte que praticam. Com tanta informação disponível na rede e, especialmente, com o desprezo pela memória que alimenta nosso presentismo compulsivo, talvez os atletas mirins e juvenis já não queiram escutar os veteranos. Atleta profissional na passagem da infância para a juventude e durante toda ela, vivi outra experiência em uma época rica em narrações. À beira das pistas de atletismo, ao final de treinos ou durante competições, colegas consagrados que admirávamos imantavam nossa atenção. Eles eram legitimados pelos feitos e viagens realizadas tanto quanto pela capacidade de dar forma épica para o que tinham experienciado ao longo da carreira. Uma das impressionantes histórias ouvidas naqueles anos foi a dos velocistas Rui (1951-2000) e Delmo da Silva (1954-2010).

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Tempo de parar
Wagner Xavier de Camargo

Adriano no Jogo das Estrelas 2018, Maracanã. Foto: Mowa Press.


No atual movimento em que a sociedade planetária entrou nos últimos tempos, de um consumo e produção rápidos de informação, principalmente subsidiados pelo capitalismo selvagem, pós-industrial e midiático, nós, seres humanos considerados em idade produtiva, temos medo de parar. Fazemos mil coisas ao mesmo tempo; contraímos compromissos sem sabermos, ao certo, se somos capazes cumpri-los; abarrotamos diariamente nossas agendas. No cotidiano, digitamos enquanto comemos, zapeamos a TV ao mesmo tempo em que falamos ao telefone, lemos rapidamente headlines de notícias que nos chegam aos olhos sem qualquer aprofundamento, respondemos mensagens de e-mails, redes sociais e aplicativos como quem funciona no automático. Nunca pensamos em parar. Tudo é urgente e “sob demanda”.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018


Florence e eu: fascinação, esportes, drogas
Wagner Xavier de Camargo

Florence Griffith-Joyner era uma mulher e tanto. Foi uma corredora estadunidense do atletismo, nas provas de velocidade e revezamento, que deixou o planeta perplexo mediante seus resultados nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Foram três medalhas de ouro nos 100m, 200m e revezamento 4×100 metros. Nos dois primeiros eventos mencionados, ela registrou recordes que até hoje perduram: 10s54 (nos 100 m) e 21s34 (nos 200 m). Numa época ainda dominada por homens no esporte, esta mulher quebrou estereótipos de gênero e se torna a mais veloz do mundo!



Griffith Joyner, Florence                             Florence Griffith Joyner winning the 100 metres at the 1988 Seoul Olympics.Colorsport/REX/Shutterstock.com

TEXTO COMPLETO

domingo, 23 de dezembro de 2018

Ir ao estádio, torcer, desfrutar. Corinthians em Floripa
Alexandre Fernandez Vaz

Para Otavio
Para Danielle Torri


                                                     Figueirense e Corinthians em 2016. Foto: Rodrigo Gazzanel/ Agência Corinthians.


Depois de décadas sem frequentar estádios de futebol, foi em 2003 que voltei a eles. A ocasião pedia: o Figueirense Futebol Clube, de Florianópolis, estrearia na Série A do Campeonato Brasileiro contra o Sport Club Corinthians Paulista. Meu irmão, corintiano como eu, insistiu amavelmente para que fôssemos à partida com amigos dele e seus filhos. Havia um sabor de aventura na experiência daquela tarde de domingo, sentimento aumentado pelo fato de que estaríamos em meio aos torcedores do Figueira, já que, sem saber o que nos esperava, temíamos pela segurança das crianças se fôssemos para o local destinado aos visitantes. Não era para tanto. Não ficamos desconfortáveis e foi um luxo assistir à Fiel Torcida fazer a festa atrás de um dos gols. Em outros momentos, estaríamos também nós entre os nossos.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Universidade e livre-pensar sob ameaça
Alexandre Fernandez Vaz


Há poucas semanas a administração central da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, veio a público esclarecer que não era verdade que nas instalações da instituição realizar-se-ia o II Congresso sobre Satanismo da UFSC. A direção do Centro de Filosofia e Ciências Humanas somou-se à Reitoria para afirmar que nenhuma reserva de auditório ou de outros espaços fora feita para tal evento. Que se tenha que fazer tal desmentido, é sintomático do estado de coisas em que estamos, uma vez que se considera que, sim, há quem acredite em informação tão absurda.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Guias-corredores no atletismo
Wagner Xavier de Camargo

Baiano realizando alongamento antes de sua prova, num evento no Ibirapuera/SP, em 1994. Foto: Wagner Camargo.


A primeira vez que conheci um atleta cego foi num idílico pôr do sol, em dezembro de 1993, dia em que me impressionei com o fato de uma pessoa sem visão praticar atletismo. A confluência de destinos que provocou o encontro de um moleque estudante e de um atleta paralímpico em formação transformaria nossas vidas. Ali começava muito mais do que uma simples amizade: nossa relação era de parceria, companheirismo, de uma cumplicidade que é difícil encontrar, inclusive, em casamentos ou vínculos fraternais. Era tudo isso e muito mais,  acoplado ao prazer de correr juntos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Já estive na segunda divisão. Não me fez mal
Alexandre Fernandez Vaz

Jogo entre Avaí e Flamengo pela Série A em 2017, ano em que o Avaí caiu para a segunda divisão.


O Avaí Futebol Clube alcançou o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro de 2019, depois da trajetória de sucesso na Segundona deste ano, concluída em terceiro lugar. Regular ao longo do campeonato, com defesa sólida, lampejos do ídolo Marquinhos Santos e definição rápida no ataque, a equipe treinada por Geninho orgulha parte dos florianopolitanos, em especial os que vivem na porção sul da Ilha de Santa Catarina. A bandeira azul e branca foi hasteada, como de praxe nessas ocasiões, na cabeceira da Ponte Colombo Salles, saudando a equipe da Ressacada. Por outro lado, o Figueirense, adversário e coirmão, sediado na parte continental de Florianópolis, por pouco escapou do descenso para a terceira divisão nacional. Não teremos no ano que vem, portanto, o superclássico local no Brasileirão, a disputa que é tratada na cidade, como costuma acontecer, como um “campeonato à parte”. Restará o torneio estadual para que clubes e torcidas meçam força entre si.