domingo, 16 de setembro de 2018

Memórias paralímpicas afetivas
Wagner Xavier de Camargo

elipe Gomes e seu guia Jonas Silva (BRA) nas semifinais dos 200m masculino classe T11 no Estádio Olímpico nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Foto: Heusi Action/Miriam Jeske.


Minha trajetória no esporte de rendimento começou tarde. Mais propriamente se iniciou no movimento paralímpico, voltado a pessoas com deficiência, e precisamente quando conheci “Baiano”, velocista cego, origem humilde, gente boa. De instantâneo, virei “guia de cegos”, como o povo diz. Guias são corredores, atletas ou amadores, que acabam correndo em companhia de pessoas com deficiência visual. Tornam-se importantes figuras e a relação que se estabelece é bastante afetiva entre atleta cego e guia-corredor.

sábado, 15 de setembro de 2018

Futebol: aprendendo sobre a morte
Alexandre Fernandez Vaz


Uma das marcantes recordações de minha infância é a dos jogos escutados no rádio do carro de meu pai, em tardes de domingo. A narração era de Fiori Giliotte, com seu português correto e bem pronunciado, e a abordagem teatral que lhe fazia dizer, ao iniciar-se a peleja, “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”. Uma vez, no segundo tempo de uma partida pelo Campeonato Paulista, na medida em que o jogo ia chegando a seu epílogo e o resultado parecia se consolidar, sentia algo melancólico que vinha da voz do locutor, ainda que permanecesse o desejo (e o temor) de que algo acontecesse e modificasse o destino da partida. Para quem torcia para um time que costumava não ser campeão, como era o meu caso, a experiência de ouvir e imaginar o que acontecia em campo era fascinante e também geradora de um tanto de frustração. É possível que certa melancolia se instalasse em mim também porque enquanto a partida se concluía, o dia de escola logo cedo, o seguinte, já se anunciava.

terça-feira, 11 de setembro de 2018


VIII SEMINÁRIO EDUCAÇÃO DOS CORPOS, CULTURAS,
HISTÓRIA: sociologias críticas da educação.

25.09.2018
18h: Abertura do Seminário a cargo de Fábio Machado Pinto e Alexandre Fernandez
Vaz.
18:30: Conferência de abertura a cargo de Jean-Yves Rochex
(ESCOL/Université Paris 8) – Sociologia da Educação na França. Coordenador:
Fábio Machado Pinto. (UFSC/CAPES). Debatedor: Ione Ribeiro Valle
(UFSC/CNPq).
Local: Auditório do CFH.
26.09.2018
14h: Reunião Institucional para formulação de uma proposta de Intercâmbio
entre as Universidades e seus programas de pós-graduação : Université Paris
8, UFSC e UDESC.
18:30h: Conferência de Emiliano Gambarotta (CONICET, Argentina) –
Sociologia da Educação na Argentina. Coordenador: Alexandre Vaz.
Debatedor: Luiz Gustavo da Cunha de Souza (UFSC).
Local: Auditório do CFH.
27.09.2018
9h: Roda de conversa com alunos do Ensino Médio do COLÉGIO DE APLICAÇÃO
UFSC - Jean-Yves Rochex, Emiliano Gamabarotta e Alexandre Fernandez Vaz
Sociologia da Educação. Responsáveis: Fábio Machado Pinto e Jaison José
Bassani.
Local: Auditório do Colégio.

18:30h: Conferência de Ione Ribeiro Valle (UFSC/CNPq) – Sociologia da
Educação no Brasil. Coordenador: Jaison Bassani (UFSC). Debatedor: Fábio Pinto.
Local: Auditório do CFH.
28.09.2018
9h: Participação especial de Jean-Yves Rochex, Emiliano Gamabarotta e Alexandre
Fernandez Vaz no Seminário Sociologias Críticas da Educação II (PPGE/UFSC).
Responsáveis: Fábio Machado Pinto e Jaison José Bassani.
Local: Sala PPGE.
14h: Reunião de avaliação do Seminário.

sábado, 8 de setembro de 2018

O Museu Nacional: memória e catástrofe
Alexandre Fernandes Vaz


Em 2009 estive na Universidade Federal de Minas Gerais para participar de uma banca de avaliação de tese de doutorado em História, a de Ana Carolina Vimieiro-Gomes. Foi dessas tardes de trabalho que valem a pena, o que não é tão comum como deveria. Ana Carolina é hoje professora daquele departamento e desenvolve uma carreira de pesquisadora das mais interessantes. Sua tese deu origem a um bonito livro publicado sob o título de Uma Ciência Moderna e Imperial: a fisiologia brasileira no final do século XIX (1880-1889). Como disse Ilana Löwy na banca de arguição, tratava-se, antes de tudo, de uma história que merecia ser contada.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Uma imagem duradoura – (outra vez) Passagens, de Walter Benjamin

Alexandre Fernandez Vaz

O primeiro semestre viu chegar ao mercado editorial brasileiro, depois de longo hiato, a segunda edição de um livro muito especial. Refiro-me à monumental obra Passagens, de Walter Benjamin, publicado pela Editora da Universidade Federal de Minas Gerais. Em três volumes, com bonito acabamento, a obra fica mais fácil de ser manuseada do que sua versão anterior, também publicada pela EDUFMG em colaboração com a Imprensa Oficial do estado de São Paulo. A edição brasileira Das Passagen-Werk foi cuidadosamente preparada por uma equipe coordenada por Willy Bolle, com a colaboração de Olgária Matos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Rolf Tiedmann – Arquivista da Teoria Crítica da Sociedade
Alexandre Fernandez Vaz


A primeira vez em que soube da existência de Rolf Tiedmann foi ao ler Bárbara Freitag, uma das principais divulgadoras da Teoria Crítica da Sociedade no Brasil, além de grande pesquisadora de Sociologia e Filosofia da Educação. Hoje menos lembrada do que deveria, ela é autora de importantes livros, como A Teoria Crítica: ontem e hoje e Sociedade e consciência: um estudo piagetiano na favela e na escola. No texto em questão, nenhum dos dois que acabo de citar, ela dizia de alguém que realizara algo que muitos consideravam impossível: organizar o que havia sido escrito de Passagens, obra à qual Walter Benjamin se dedicou de 1927 até sua prematura morte, em 1940.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Bravos goleiros: alguns que fazem gols, a exemplo de Rogério Ceni
Alexandre Fernandez Vaz

Ceni comemora o centésimo gol da carreira. Foto: Luiz Pires/Vipcomm.

O São Paulo Futebol Clube venceu por duas vezes seguidas a Copa Intercontinental, em 1992 e no ano seguinte, em partidas disputadas em Tóquio, a primeira contra o Barcelona, a segunda contra o Milan. São-paulinos fanáticos ficavam acordados até a meia-noite, quando começavam as disputas do outro lado do mundo; alguns, como meu avô, despertavam poucos minutos antes do início de cada contenda, para assistir ao time do coração. Nas difíceis partidas o goleiro brasileiro foi Zetti, formado na tradição palmeirense de arqueiros, em que se destacou antes de grave contusão e da transferência para o Tricolor. No ano seguinte, ele comporia a seleção brasileira campeã da Copa do Mundo nos Estados Unidos, ao lado do titular Cláudio Taffarel e do terceiro goleiro Gilmar Rinaldi. No segundo título no Japão, o suplente de Zetti era Rogério Ceni.